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3º Encontro de PLDFT promovido por ABEMG e FEBRABAN destaca integração 

entre setor financeiro e órgãos públicos no combate aos crimes financeiros

O evento reuniu especialistas, autoridades e representantes de instituições financeiras para debater os desafios da prevenção à lavagem de dinheiro, ao financiamento do terrorismo, às fraudes digitais e ao crime organizado.

A Associação de Bancos do Estado de Minas Gerais - ABEMG e a Federação Brasileira de Bancos – FEBRABAN realizaram, no dia 19 de maio, o 3º Encontro de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (PLDFT). O evento reuniu representantes do sistema financeiro, órgãos de controle, autoridades públicas, especialistas em compliance, segurança e inteligência financeira para discutir os principais desafios enfrentados pelo país no combate aos crimes financeiros e no fortalecimento dos mecanismos de prevenção.

A abertura foi conduzida por Edmar Pieri Campos, representante da ABEMG, que deu as boas-vindas aos participantes e destacou a importância da troca de experiências entre profissionais e autoridades vindos de diversas regiões do Brasil, reforçando o papel da cooperação institucional na construção de um ambiente financeiro mais seguro e resiliente.

Na sequência, Eli da Silva, Especialista em Compliance e PLDFT da FEBRABAN, ressaltou a atuação da Federação como a principal entidade representativa do setor bancário nacional e destacou sua participação ativa na Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA). O palestrante reforçou a importância da integração entre instituições financeiras, órgãos reguladores e autoridades públicas para o aprimoramento contínuo das práticas de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.

Painel: Lavagem de Dinheiro por Meio de Casas de Apostas

O crescimento acelerado do mercado de apostas esportivas e jogos online foi tema do primeiro painel do encontro. Lucas Gualtieri, Procurador da República, apresentou uma análise do ecossistema das bets e dos desafios enfrentados pelos órgãos de controle diante da evolução dos meios utilizados para movimentação e ocultação de recursos ilícitos.

Durante sua exposição, o procurador abordou o uso de criptoativos, stablecoins e plataformas digitais em operações suspeitas, explicando as etapas clássicas da lavagem de dinheiro: colocação, ocultação e integração. Também destacou diversos sinais de alerta observados pelos sistemas de monitoramento, como fragmentação de transações, múltiplos pagamentos via Pix, utilização de contas-mula, dispersão de recursos entre diferentes plataformas, apostas paralelas e práticas conhecidas como chip dumping.

Lucas Gualtieri alertou ainda para a utilização de mecanismos peer-to-peer (P2P) por organizações criminosas e para os desafios impostos às instituições financeiras diante da crescente sofisticação das estruturas utilizadas para ocultação de patrimônio e movimentação de recursos.

Complementando o debate, Renato Resende, Coordenador-Geral de Monitoramento e Lavagem de Dinheiro da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, apresentou a evolução do marco regulatório do setor e destacou os mecanismos de controle previstos na Lei nº 14.790/2023 e nas regulamentações aplicáveis às apostas de quota fixa.

O palestrante chamou atenção para os desafios relacionados à atuação de plataformas estrangeiras irregulares, incluindo casas de apostas chinesas, ressaltando a necessidade de ampliar a fiscalização, o monitoramento e a transparência das operações realizadas nesse mercado em expansão.

A mediação foi conduzida por Alceu Del Petri Filho, Superintendente de PLDFT do Bradesco e Diretor do Comitê de PLDFT da FEBRABAN, que destacou a importância da constante atualização dos mecanismos de prevenção diante das transformações tecnológicas e regulatórias que impactam o setor.

Painel: Integração dos Setores Público e Privado no Combate ao Crime Organizado, à Lavagem de Dinheiro e Financiamento ao Terrorismo

O segundo painel reforçou a importância da atuação coordenada entre instituições financeiras e órgãos de segurança pública para o enfrentamento das organizações criminosas.

Mariana Araújo, Diretora Executiva de Riscos e Compliance do Banco Mercantil, apresentou iniciativas adotadas pela instituição para aprimorar os processos de monitoramento e prevenção. Durante sua exposição, destacou a utilização da plataforma Tentáculos como ferramenta de apoio à identificação de movimentações suspeitas e ao fortalecimento das estratégias de gestão de riscos e compliance.

Em seguida, Christian Viana, Subsecretário de Integração da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, compartilhou experiências relacionadas a operações integradas de combate ao crime organizado. Entre os exemplos apresentados, destacou a Operação Mar de Minas, realizada na região de Furnas, além de ações voltadas ao enfrentamento do tráfico de drogas por meio de rotas fluviais no Triângulo Mineiro.

Os casos apresentados evidenciaram a importância da integração entre inteligência financeira, investigação policial e cooperação institucional para identificar fluxos financeiros ilícitos e desarticular estruturas criminosas.

A mediação do painel foi conduzida por José Gomes Fernandes, Diretor Adjunto do Comitê de Segurança Bancária da FEBRABAN. Durante as discussões, o executivo alertou para o crescimento expressivo das fraudes digitais no país, classificando o cenário atual como uma verdadeira “pandemia de golpes”. Gomes destacou a utilização indevida de aparelhos celulares, chips telefônicos e identidades falsas como instrumentos cada vez mais presentes nas estratégias utilizadas por fraudadores e organizações criminosas.

 

Painel: Atuação do Ministério Público no Enfrentamento aos Crimes Cibernéticos, à Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo

O terceiro painel trouxe uma visão ampla sobre a atuação do Ministério Público no enfrentamento aos crimes financeiros e cibernéticos.

Janaina de Andrade Dauro, Coordenadora das Promotorias de Justiça de Ordem Tributária de Minas Gerais, apresentou a estrutura de atuação do Ministério Público mineiro no combate às fraudes estruturadas, aos crimes tributários e à lavagem de dinheiro.

 

Durante sua apresentação, destacou iniciativas conduzidas por estruturas especializadas, como o CAOET, o CIRA-MG e a CORA-LD Coordenadoria de Recuperação de Ativos e Combate à Lavagem de Dinheiro, destacando o papel estratégico dessas unidades na identificação, rastreamento e recuperação de ativos provenientes de atividades ilícitas.

A promotora ressaltou os impactos econômicos causados pelas organizações criminosas e destacou a necessidade de atuação integrada entre o Ministério Público, órgãos de investigação e setor financeiro para ampliar a efetividade das ações de combate aos crimes financeiros.

Entre os exemplos apresentados, mencionou operações de grande relevância conduzidas no país, como a Operação Per Saltum em São Paulo, reforçando a importância da cooperação institucional para o sucesso das investigações.

 

O painel contou ainda com a participação de Fábio Ieiri, Head Global de Anti Financial Crime (AFC) do Banco Inter, que trouxe a perspectiva do setor financeiro sobre os desafios relacionados à prevenção dos crimes financeiros em um ambiente cada vez mais digitalizado.

O executivo destacou a importância da tecnologia, da inteligência de dados, da análise comportamental e da cooperação entre instituições para fortalecer os mecanismos de prevenção, detecção e mitigação de riscos associados à lavagem de dinheiro, às fraudes e aos crimes cibernéticos.

A moderação foi realizada por Horciliano Marques, Superintendente de PLDFT do Banco Itaú e integrante do Comitê de PLDFT da FEBRABAN, que conduziu os debates destacando a relevância da cooperação entre instituições financeiras, órgãos de investigação e entidades de controle para o fortalecimento da cultura de compliance e do combate aos crimes financeiros.

 

Painel: Atuação do Coaf Frente aos Desafios do País

Encerrando a programação, Ricardo Saadi, Presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apresentou um panorama sobre a atuação do órgão no sistema nacional de prevenção à lavagem de dinheiro.

Durante sua exposição, destacou a missão institucional do Coaf e a importância da inteligência financeira para subsidiar investigações conduzidas por órgãos de controle, segurança pública e justiça. Saadi ressaltou que o Conselho recebe diariamente elevado volume de comunicações, demonstrando a dimensão do trabalho realizado e os desafios enfrentados diante da crescente complexidade dos crimes financeiros.

O painel contou também com a participação de Luiz Paulo Azevedo Bittencourt, Diretor de Segurança Corporativa do Banco do Brasil e representante do Comitê de PLDFT da FEBRABAN, que destacou a importância da cooperação entre instituições financeiras, órgãos de inteligência e autoridades públicas para o aprimoramento contínuo dos mecanismos de prevenção e combate aos crimes financeiros.

Segundo o executivo, o compartilhamento de informações, experiências e boas práticas é fundamental para fortalecer a capacidade de resposta das instituições diante das constantes transformações do cenário criminal e tecnológico.

Ao promover o 3º Encontro de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo, a ABEMG e a FEBRABAN reafirmam seu compromisso com o fortalecimento da cultura de compliance, da segurança financeira e da integração entre os setores público e privado. O encontro proporcionou um ambiente qualificado para a troca de experiências, disseminação de conhecimento e discussão de boas práticas, contribuindo para o aperfeiçoamento contínuo dos mecanismos de prevenção, detecção e combate aos crimes financeiros que impactam o sistema financeiro e a sociedade brasileira.

Formu
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